Charlie Stewart Kaufman é uma das personagens mais importantes do actual panorama cinematográfico de Hollywood aparecendo até no top 100 da Time Magazine como uma das pessoas mais poderosas, algo de relevante, tendo em conta que é o único argumentista da lista. Começou por escrever artigos cómicos para a revista da National Lampoon, passou a escrever sketches para algumas séries de televisão, mas só se tornou conhecido com o argumento de
Beeing John Malkovich (realizado por
Spike Jonze em 1999) que lhe valeu a primeira nomeação para os Óscares. Seguiu-se o argumento de
Human Nature (primeira longa de
Michel Gondry em 2001) que passou um pouco desapercebido e é provavelmente o seu prior trabalho. Em 2002 e de novo com
Spike Jonze atrás da câmara, estreia
Adaptation que lhe vale mais uma nomeação. Um dos melhores papéis de
Nicholas Cage e a confirmação de Kaufman como escritor de top. Seguiu-se
Confessions of a Dangerous Mind também em 2002. Marcou a estreia de
George Clooney na realização e uma das poucas declarações de
Kaufman à imprensa, a criticar
Clooney por ter alterado o argumento sem o consultar. Em 2004 volta a escrever para
Michel Gondry realizar e ganha o merecido Óscar de melhor argumento original com o genial
Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Desaparecido há 4 anos, à muito se fala da sua nova criação que ele próprio tratou de filmar:
Synecdoche, New York. A primeira data anunciada para a estreia do filme foi 14 de Novembro e prometia dar que falar, como aliás o fez na ante-estreia em Cannes, onde Kaufman esteve nomeado para a Palma d'Ouro. No entanto continua por estrear e foi totalmente esquecido nos Globos de Ouro e também nos Óscares, onde não somou qualquer nomeação. O filme conta a história de Caden, um encenador de teatro que se

prepara para realizar uma nova e grandiosa peça de grande realismo e honestidade, à qual se possa entregar completamente como se da história de uma vida se tratasse. À medida que vai recriando a cidade num grande armazém alugado, e enquanto os actores vão vivendo as personagens, a sua vida íntima vai-se deteriorando. Atormentado pelo fantasma da sua ex-mulher, pela ausência da filha, pela deficiência mental da outra filha, pelo arruinar do actual casamento, pela terapeuta que em nada ajuda, pelo actor principal da peça que é perfeito demais e pela sua misteriosa doença que o faz perder sistematicamente cada uma das suas funções vitais, vai-se enterrando cada vez mais na sua obra-prima, enquanto os anos vão passando rapidamente e se vai tornando ténue a diferença entre a realidade e a ficção. A chegada de uma experiente actriz parece vir ajudar Caden a alinhar a sua veia criativa.
Kaufman cria um universo negro, recheado de personagens complexas no mundo das relações e da criatividade artística. Talvez a definição de sinédoque ajude a compreender. Caden é
Philipe Seymour Hoffman e as mulheres à sua volta:
Samantha Morton, Michelle Williams,
Catherine Keener,
Emily Watson,
Jennifer Jason Leigh,
Hope Davies e
Dianne Wiest. Apesar de ter sido aplaudido por muitos, dos poucos que viram, o restante público tratou mal a obra, entre eles vários críticos, pelo facto de ser confuso demais. Houve quem dissesse que apenas Steinbeck compreenderia aquela espiral de ideias (que quer isto dizer?) Eu continuo ansioso, até porque o génio argumentista só tem vindo a superar-se. Fica o trailer.
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