Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas amigas residentes em Nova Iorque que decidem passar as férias de Verão em Barcelona. Durante a estadia conhecem um enigmático pintor (Javier Bardem) que as convida a passar o fim de semana em Oviedo. Ambas se vão apaixonar por ele e conhecer a ex-mulher Maria Elena (Penelope Cruz) que vai voltar a casa depois duma tentativa malograda de suicídio. O mais prolífico realizador norte-americano está de volta, não moribundo como há anos se ouve dizer, mas em plena forma, a abordar um dos temas viscerais na sua carreira, o amor e as relações interpessoais. Woody Allen continua ousado e descomplexado nesta passagem por Espanha, retratando as várias facetas do amor, ora puro, ora obsessivo, ora acomodado, ora pululante, vindo donde menos se espera ou como resultado duma longa procura. Não temos os gags cómicos característicos, mas uma sensibilidade na intriga e na imagem que abraçam o espectador ao romance turbulento dos protagonistas. Talvez Allen use formulas, mas procura sempre novas variáveis que resultam quase invariavelmente em novas reflexões. Ganhou o globo de ouro para melhor comédia ou musical pela parca concorrência estabelecida, mas trata-se das melhores obras dos últimos anos, num piscar de olho hodierno e rejuvenescido a Hannah and Her Sisters (1986) e Husbands and Wives (1992). A história e os diálogos geram mais um argumento de qualidade, com a arte como pano de fundo. De visita à "casa" de Gaudi e Miró, Allen faz a sua vénia e dá-nos grandes planos da beleza natural e arquitectónica do país vizinho, acompanhados pelo som de Paco de Lucía, Isaac Albéniz, Biel Ballester e Giulia y los Tellarini entre outros. O elenco está de parabéns: o oscarizado Bardem, primeira e única escolha de Allen, a nova parceira no crime, Johansson, Rebecca Hall, jovem actriz em ascensão e Penelope Cruz que pode levar o óscar de melhor actriz secundária para casa, o que seria inteiramente merecido. Em suma, estamos perante uma boa surpresa do neurótico nova-iorquino que, apesar de se encontrar aquém das pérolas de outros tempos, reafirma a vitalidade de um dos maiores autores de cinema ainda no activo. Nota: 3/5.
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