terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jackman Host e Australia

Um dos temas em discussão com a aproximação da cerimónia dos Óscares é a do apresentador. No primeiro, a 16 de Maio de 1929, Fairbanks e DeMille, duas das maiores figuras de Holywood da altura, deram início ao mais celebre festival de cinema mundial. Bob Hope foi o maior da história, apresentando o evento por mais de 15 vezes durante os anos 40, 50 e 60. Johnny Carson e, mais recentemente, Billy Crystal foram os mais solicitados. O último já recusou imensas vezes, mas em 2004 lá fez a vontade. Agora parece pouco consensual a escolha de um apresentador. Steve Martin, se já teve piada, perdeu-a algures, ainda assim já lá foi duas vezes. Whoopi Goldberg tem caído no esquecimento, mas já lá esteve em quatro anos, nunca consecutivos, o que mostra a insatisfação contínua da academia. Chris Rock foi muito caustico, apesar de Bush não permitir o contrário. A cerimónia puxou um bocado à comunidade negra e no ano seguinte tivemos Jon Stewart. O excelente humorista e apresentador do Daily Show esteve muito bem em 2006 e 2008, mas foi acusado de exagerar nas críticas a Bush. Em 2007 foi agraciada a comunidade gay com Ellen DeGeneres, que esteve bem, mas pelos vistos não convenceu. Em suma, Jon Stewart seria o mais indicado. Para quê mudar o que está bem? Certo é que este ano temos Obama e seria de mau gosto continuar a criticar Bush. Talvez Stewart não fosse realmente a melhor escolha. Escolhido anteriormente à revelação dos nomeados, a opção recaiu numa estreia. Um homem elegante, bem apresentado, não-americano, com a carreira a atingir o auge e que até já apresentou os Tony Awards, onde foi elogiado e apontado como um entertainer cheio de estilo e sentido de oportunidade. Até ver, Hugh Jackman, (X-Men, The Fountain, The Prestige) nem parece má escolha. Com sentimentos contraditórios deve ter ficado o próprio, que assim viu gorada a hipótese de levar um Óscar para casa com Australia, um papel que ele diz ter sido o que sempre almejou. Na semana passada ficou a saber que nem nomeado foi.

Em relação a Australia, o novo filme do australiano Baz Luhrmann que dirigiu Romeu + Julieta e Moulin Rouge!, pode dizer-se que é um drama romântico de aventuras, em tempo de guerra, com aspirações a épico. Como protagonista ao lado de Jackman temos Nicole Kidman, com quem Luhrmann contou para atingir o estrelato que Moulin Rouge! quase lhe conferiu. O musical moderno foi um sucesso de bilheteira a nível mundial, resultado dum projecto longo e arrojado do realizador e duma jorrada de "imagens mtv" que nem sempre resultam em arte, mas têm retorno em números com muitos zeros. Russell Crowe era o eleito para fazer par com Kidman, mas Jackman não tem levado menos fãs às salas que o ex-gladiador. O filme estreou no dia mundial do consumismo (ok, não se compra, mas recebe-se o que se comprou), dia 25 de Dezembro, altruisticamente marcado para que toda a gente o possa ver. Claro que é normal as grandes produtoras agendarem lançamentos para esta altura, pudera. Claro que Luhrmann também tem direito, como outros, a encher os bolsos de pasta. O que lhe fica mal é vir dizer que alterou o fim da história, de modo a lucrar mais no box office, com um final mais feliz que o inicial. Palavras do próprio que caíram mal a muita gente que faz o que faz por amor a um ideal. Clássicos como Casablanca, Bonnie and Clyde ou E.T. não teriam atingido o mesmo estatuto com um final mais feliz. Como era de esperar o tiro saiu-lhe pela culatra. Gastou perto de 130 milhões de dólares e passado um mês em exibição fez pouco mais de 50 milhões. Nos globos de ouro teve zero nomeações e em 22 de Fevereiro tem a hipótese de ganhar o Óscar para melhor guarda-roupa. Boa Laz, bem que podias dar o nome ao Razzie para a personalidade mais vendida do ano no cinema.

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