Os Basterds são um grupo de soldados judeus americanos, liderados pelo tenente Aldo Raine (Pitt), enviados para a França Nazi com a finalidade de chacinar o maior número possível de soldados alemães. Shosanna (Laurent) é uma refugiada judia que assistiu à morte da sua família pelo impiedoso Coronel Hans Landa (Waltz) e prepara a vingança anos mais tarde, durante a estreia dum filme-propaganda nazi, numa sala de cinema parisiense onde é gerente. A presença das mais altas patentes do Terceiro Reich para auto-vanglória do seu nacionalismo sanguinário, atrai a atenção dos Sacanas e promete um desfecho inesquecível à história. O contributo de Tarantino no cinema contemporâneo é inegável, especialmente se tivermos em conta que é raro vermos outro nome grande a dedicar-se ao cinema de autor no campo da acção. Quem vê nos seus filmes sempre o mesmo, talvez não entenda bem o hype, mas Q assina aqui uma obra-prima como só ele sabe fazer, marcada pela sua idiossincrática forma de ver e sentir o cinema, em duas horas e meia que passam a voar (ele fazia mais, mas teria que dividir em dois, ou passar a mini-série). A câmara mexe-se como catalisador da acção e a banda sonora imerge-nos numa Segunda Grande Guerra Spaguetti, acompanhada de genuínas gargalhadas e suculentas pitadas de violência gore. As personagens são na generalidade brilhantes e o grupo de actores que as encarnam, dos nazis aos aliados, encontram-se invariavelmente à altura. Brad Pitt e Christopher Waltz estão irrepreensíveis como os mais sádicos e os mais cómicos, mas até os fugazes Hitler e Goebbels nos pagam a visita à grande tela. Toda a gente, com a idade recomendada, deve assistir à sétima longa de Tarantino, provavelmente a sua melhor obra depois de Pulp Fiction. quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Inglourious Basterds
Os Basterds são um grupo de soldados judeus americanos, liderados pelo tenente Aldo Raine (Pitt), enviados para a França Nazi com a finalidade de chacinar o maior número possível de soldados alemães. Shosanna (Laurent) é uma refugiada judia que assistiu à morte da sua família pelo impiedoso Coronel Hans Landa (Waltz) e prepara a vingança anos mais tarde, durante a estreia dum filme-propaganda nazi, numa sala de cinema parisiense onde é gerente. A presença das mais altas patentes do Terceiro Reich para auto-vanglória do seu nacionalismo sanguinário, atrai a atenção dos Sacanas e promete um desfecho inesquecível à história. O contributo de Tarantino no cinema contemporâneo é inegável, especialmente se tivermos em conta que é raro vermos outro nome grande a dedicar-se ao cinema de autor no campo da acção. Quem vê nos seus filmes sempre o mesmo, talvez não entenda bem o hype, mas Q assina aqui uma obra-prima como só ele sabe fazer, marcada pela sua idiossincrática forma de ver e sentir o cinema, em duas horas e meia que passam a voar (ele fazia mais, mas teria que dividir em dois, ou passar a mini-série). A câmara mexe-se como catalisador da acção e a banda sonora imerge-nos numa Segunda Grande Guerra Spaguetti, acompanhada de genuínas gargalhadas e suculentas pitadas de violência gore. As personagens são na generalidade brilhantes e o grupo de actores que as encarnam, dos nazis aos aliados, encontram-se invariavelmente à altura. Brad Pitt e Christopher Waltz estão irrepreensíveis como os mais sádicos e os mais cómicos, mas até os fugazes Hitler e Goebbels nos pagam a visita à grande tela. Toda a gente, com a idade recomendada, deve assistir à sétima longa de Tarantino, provavelmente a sua melhor obra depois de Pulp Fiction. terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Ponyo on the Cliff by the Sea & Coraline
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Il Grido di Antonioni
Michelangelo Antonioni nasceu em Ferrara, em 1912, no seio duma família de classe média, e cresceu nos arredores da província italiana. Morreu em Roma a 30 de Julho de 2007, no mesmo dia de Ingmar Bergman. Apesar de ter estudado ecónomia e comércio, também escrevia para o jornal local e em 1939 mudou-se para Roma, onde escreveu para o jornal Cinema e, ao mesmo tempo, tirou o curso de realização. Tornou-se numa das principais figuras do Neo-Realismo italiano juntamente com Rossellini e Visconti, como impulsionador e executante, com algumas curtas semi-documentariadas. Os seus primeiros três filmes claramente influenciados pelas suas raízes burguesas já fujiam um pouco do estilo neo-realista ao expôr duma maneira menos simpática a classe média. A sua quarta longa metragem é Il Grido, de 1957, e precede a trilogia com que atingiu o sucesso mundial (L'Avventura (1960), La Notte (1961) e L'Eclisse (1962)), levando a que mais tarde fosse trabalhar no estrangeiro, nomeadamente Reino Unido (Blow Up (1968)) e Estados Unidos (Zabriskie Point (1970)). O que marca este filme, muitas vezes subvalorizado, é o assumir da temática que o vai acompanhar durante a sua carreira: a alienação do indíviduo. A trilogia supracitada, a da alienação, ou se quisermos acrescentar o magnifico Il Deserto Rosso (1964) para completar uma tetralogia onde pontifica a sua musa Monica Vitti, são o consumar artistico do visionário italiano.
Na película de 57 acompanhamos Aldo (Steve Cochran), uma mecânico duma refinaria, que ao ser rejeitado pela mulher (Irma) com quem compartilhou adulteramente o leito durante sete anos, em vez da união consumada e por ele desejada, após o falecimento do marido de Irma (ausente durante todo esse tempo), Aldo parte com a filha de ambos (Roasina) com destino incerto, em busca de novo emprego e nova vida. Ao longo da viajem, Aldo vai encontrando várias mulheres, também solitárias e em busca de afecto, como a sua antiga amante, uma viúva dona duma estação de gasolina ou uma prostituta necessitada, que lhe dão casa e amor, mas não lhe fazem esquecer Irma nem o vazio profundo que o assola. Ao longo desta jornada que começa com um insuportável desgosto amoroso, prossegue com uma insessante busca de identidade e culmina quando a personagem se perde, ou se encontra, no seu destino, Antonioni faz-nos reflectir sobre a importância das relações e dos afectos, sobre a solidão e o porquê da nossa existência. Como dá para perceber, está lá tudo o que esperamos (ou não) dum filme dele, em longos planos sequência de personagens que vagueiam por paisagens sublimes, acompanhadas de poucos diálogos, o que Bergman uma vez chamou de cinema desinteressado e visionário. Não é uma obra-prima como outras, mais pelo argumento, mas merece um 4/5. Sobre o cinema de Antonini queria ainda dizer que usa a côr como poucos. Basta ver a expressividade que dá à imagem no seu primeiro filme colorido, o já falado, Il Deserto Rosso. Outra obra-prima a reter: Professione: Reporter (1975) com Jack Nicholson, fantástico. Em termos de influêcias: Wim Wenders, Lars Von Trier, Wong Kar-Wai ou mesmo Tarkovky, po exemplo, seguiram os seus passos. Para terminar vou dar-lhe a palavra:Em Cannes, quando estreou L'Avventura:
"My films explore the paradox that we have examined those moral attitudes very carefully, we have dissected them and analyzed them to the point of exhaustion. We have been capable of all this, but we have not been capable of finding new ones".
"Morality: When man becomes reconciled to nature, when space becomes his true background, these words and concepts will have lost their meaning, and we will no longer have to use them".
George Clooney Vs. Clark Gable

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Linda Ash
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Colecção Público: 8 Semanas, 8 Filmes
14 de Fevereiro - Brokeback Mountain (2005) - Ang Lee
21 de Fevereiro - Youth Without Youth (2007) - F. F. Coppola
28 de Fevereiro - Redacted (2007) - Brian de Palma
7 de Março - Hero (2002) - Yimou Zhang
14 de Março - Breakfast on Pluto (2005) - Neil Jordan
21 de Março - Monster's Ball (2001) - Marc Forster
28 de Março - Papillon (1973) - Franklin J. Schaffner
4 de Abril - Dirty Pretty Things (2002) - Stephen Frears
Para mais informações sobre os filmes e até ver os trailer carreguem aqui. Eles aconselham que se mande guardar... serão poucas cópias ou muito poucas cópias?
Inglourious Basters
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Sherlock Holmes

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Star Trek & Fanboys
Já agora, estreia esta sexta-feira, na Islândia (segundo o imdb), um filme passado em 1998, sobre um grupo de fanáticos do Star Wars que tentam assaltar o Skywalker Ranch e roubar uma cópia de Episode I: The Phantom Menace: Fanboys. Um dos membros já leva vida de adulto há uns tempos e começam a notar um certo distanciamento. Resolvem então fazer o que planeavam desde o quinto ano, antes que fosse tarde demais para disfrutar como sempre imaginaram, e roubar a cópia, uma vez que a estreia ainda vai demorar largos meses. O realizador é Kyle Newman e os 5 "Jedi", Dan Fogler, Jay Baruchel, Kristen Bell, Chris Marquette e Sam Huntington, nesta comédia/road movie que os vai levar, entre outros sitios, a uma convensão de trekies. Seth Rogen é o supergeektrekie do trailer:
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Fantasporto 2009

Temos as habituais retrospectivas. José Fonseca e Costa é o cineasta nacional homenageado este ano com filmes como Kilas, o Mau da Fita, Cinco Dias, Cinco Noites ou A Balada da Praia dos Cães. Mario Bava, um dos nomes do terror italiano também estará presente assim como Jorg Buttgereit , com todas as suas longas em exibição. Retrospectiva Cinema e Arquitectura mostra grandes filmes como A.I. e Blindness, acompanhados de clássicos intemporais como Metropolis ou Blade Runner. Vai ainda decorrer uma retrospectiva do cinema da Galiza com uma grande variedade de curtas e longas metragens.
O panorama do cinema português exibe Arte de Roubar de Leonel Vieira e Entre os Dedos de Tiago Guedes e Frederico Serra, para além duma data de curtas.
A Praça D. João II vai voltar a ter uma tenda, como nos últimos anos, um lugar de convívio com DJ's, outras propostas alternativas ao festival e o programa "Porto em Curtas", onde serão exibidas cerca de 400 curtas de todo o mundo, com destaque para obras de países como a Espanha, a França, a Holanda e a Escócia.
Para encerrar, mais uma vez no Sá da Bandeira, o Baile dos Vampiros.
Como é óbvio, o site do Fantas tem toda a informação, mas para ser mais fácil deixo aqui os links:
Lista Oficial de Filmes
Grande Auditório do Rivoli
Pequeno Auditório do Rivoli
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Woody on Bergman
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sábado, 7 de fevereiro de 2009
Soderbergh Fala de Che
Steven Soderbergh em entrevista ao National Public Radio fala do seu novo filme Che, um biopic polémico de 4 horas (vai ser comercializado em 2 partes) sobre o icónico revolucionário argentino. Depois da exibição em Cannes onde Soderbergh foi nomeado e Benicio Del Toro ganhou melhor actor, o filme tem passado ao lado das nomeações nos outros festivais (com excepção do Goya para Del Toro) sendo acusado, por alguns, de tentar glorificar esta figura controversa.Melissa Block: If we think of that image on the T-shirt — how do you make that human?
Steven Soderbergh: Part of the way to do that ... is to show him arriving in New York in his rock-star phase, at the height of his notoriety and fame, and [contrast] that with him lost in the Cuban jungle, suffering from asthma, and have the audience see those two images alongside one another and wonder how they are going to converge.
MB:The main controversy over the film is what's left out: the period after the Cuban revolution, when Che is a prison commander, and there are executions and purges of opponents.
SS: That's what [the scenes in] New York are — that's the point. He is here on his junket, and everywhere he goes people are calling him a murderer and an assassin. ... It's obviously not going to satisfy people who define him entirely by that period. But that's my way of handling it. I think that anyone who looks at the thing from a certain distance can see that my choice ... is driven more by artistic need than it is by political agenda.
MB: Does it run the risk of becoming hagiography, to show just those periods?
SS: I don't know. It doesn't matter to me. ... I have to tell it from his perspective. I'm telling his story, not mine. Obviously I don't believe everything he believes, but I'm making a movie about a believer. ... If I make a movie about John Wilkes Booth and I put you in his experience, that doesn't mean that I support the idea of shooting Lincoln. But my job as a filmmaker is to put you in his skin.
MB: When you're working on a movie like this — two movies, four hours long, about a controversial historical figure, how much are you thinking, "Will audiences like it? Will it sell?" Or do you leave that to Ocean's 19, 20 and 21 to take care of?
SS: No. ... I would only make something that I would want to see. If that's not my criteria, then I'm second-guessing myself. ... I was taught when I was a young age — when I was working with people older than me who were mentoring me, in a way — you are the audience. Anything that you can understand, they can understand.
MB: And does it feel like a very different enterprise, shooting a movie like this and say Ocean's Twelve, Ocean's Thirteen?
SS: No, I have to say, the problem-solving aspect of it is pretty similar to me, whether it's Che or an Ocean's film or a tiny thing I did called Bubble a few years ago. The only difference is the number of people standing around. But the problem — on a day-to-day level — of how to make a scene work is the same.
MB: Really?
SS: Yeah, I promise. Well, you're probably telling more jokes on the set of Ocean's Eleven than you are on Che. But there are times that there is fun to be had, even on a very serious movie.
MB: What was the most fun [you had] on this one?
SS: You mean, was there any fun? No, not really. It was happening so fast. And you had to be careful, too — guns going off, bombs going off. You have to be very, very focused to make sure everything was going safely.
MB: I was watching a clip on YouTube of a Q&A in New York, and the audience is very divided. You hear people shouting, "Che is a murderer." It's 40 years [later], and you have the same thing [happening to you] that you [portray] in your movie.
SS: I like when art can do that. I like when art is about something that gets people animated. I think that's terrific. It doesn't happen very much. ... The filmmaker Jean Renoir made a film called Rules of the Game. ... When it premiered in France, [Renoir] describes watching a man tear his newspaper into strips and light [them] on fire. He hated the movie so much, he wanted to burn the theater down. I remember thinking, "Wow, that's awesome."
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Angelica Huston








quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Silence por Scorsese
Martin Scorsese é uma das grandes figuras de Hollywood e viu recompensada a sua obra com o óscar, no seu último filme de ficção, The Departed. Scorsese que é também um grande documentarista, tem alternado ficção com realidade, dando nos últimos anos especial destaque à música. Tivemos a sua participação em The Concert of New York (2001) e no projecto The Blues (2003), segui-se No Direction Home: Bob Dylan (2005) e Shine a Light, sobre os Rolling Stones no ano transacto. Com o novo filme, Shutter Island, em pós-produção, um thriller dramático sobre um assassino que fugiu dum hospital psiquiátrico, volta a trabalhar com Leonardo DiCaprio e um cast de luxo (Mark Ruffalo, Ben Kingslay, Emily Mortimer, Max Von Sydow, Michelle Williams, Patricia Clarckson...). Já tinha agendado um novo documentário sobre o beatle George Harrison e um biopic de peso para, de novo, DiCaprio acenar aos óscares, no papel de Theodore Roosevelt. A novidade é o anúncio de mais uma obra para 2010, o que prefaz 3, numa altura em que já não vai para novo, sendo mais que bem vinda esta sua incansável dedicação à arte que idolatrou desde criança. Silence é o nome do filme e do romance de Shusako Endo, que conta a história de dois padres jesuítas portugueses do século XVII que viajam até ao Japão, durante o regime de Shogunate que os isolava completamente do exterior, para ver como a missão evangélica estava a decorrer. Scorsese, um antigo aluno do seminário, filma a perseguição aos cristão japoneses, pelo seu próprio governo, numa tentativa de expurgar o Japão de qualquer influência da civilização ocidental. Sebastião Rodrigues e Francis Garrpe são os padres que acabam por se separar e seguir cada um o seu destino, interrogando-se sobre o silêncio de Deus perante o sofrimento dos Seus filhos. Ao que se sabe parte das filmagens vão decorrer na Nova Zelândia. Um filme sobre jesuítas... parece seca? Talvez sim, mas The Mission com Jeremy Irons e Robert De Niro não estava mal. E aqui está a outra novidade, os actores: Daniel Day-Lewis e Benicio Del Toro parecem já ter aceite o convite de Marty, estando Gael García Bernal em conversações. Por aqui não irá desiludir.terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Vicky Cristina Barcelona
Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas amigas residentes em Nova Iorque que decidem passar as férias de Verão em Barcelona. Durante a estadia conhecem um enigmático pintor (Javier Bardem) que as convida a passar o fim de semana em Oviedo. Ambas se vão apaixonar por ele e conhecer a ex-mulher Maria Elena (Penelope Cruz) que vai voltar a casa depois duma tentativa malograda de suicídio. O mais prolífico realizador norte-americano está de volta, não moribundo como há anos se ouve dizer, mas em plena forma, a abordar um dos temas viscerais na sua carreira, o amor e as relações interpessoais. Woody Allen continua ousado e descomplexado nesta passagem por Espanha, retratando as várias facetas do amor, ora puro, ora obsessivo, ora acomodado, ora pululante, vindo donde menos se espera ou como resultado duma longa procura. Não temos os gags cómicos característicos, mas uma sensibilidade na intriga e na imagem que abraçam o espectador ao romance turbulento dos protagonistas. Talvez Allen use formulas, mas procura sempre novas variáveis que resultam quase invariavelmente em novas reflexões. Ganhou o globo de ouro para melhor comédia ou musical pela parca concorrência estabelecida, mas trata-se das melhores obras dos últimos anos, num piscar de olho hodierno e rejuvenescido a Hannah and Her Sisters (1986) e Husbands and Wives (1992). A história e os diálogos geram mais um argumento de qualidade, com a arte como pano de fundo. De visita à "casa" de Gaudi e Miró, Allen faz a sua vénia e dá-nos grandes planos da beleza natural e arquitectónica do país vizinho, acompanhados pelo som de Paco de Lucía, Isaac Albéniz, Biel Ballester e Giulia y los Tellarini entre outros. O elenco está de parabéns: o oscarizado Bardem, primeira e única escolha de Allen, a nova parceira no crime, Johansson, Rebecca Hall, jovem actriz em ascensão e Penelope Cruz que pode levar o óscar de melhor actriz secundária para casa, o que seria inteiramente merecido. Em suma, estamos perante uma boa surpresa do neurótico nova-iorquino que, apesar de se encontrar aquém das pérolas de outros tempos, reafirma a vitalidade de um dos maiores autores de cinema ainda no activo. Nota: 3/5.
Vicky Cristina Barcelona - Excerpts From the Spanish Diary
JAN. 2
Have no idea for Barcelona unless the story of the two Hackensack Jews who start a mail-order embalming firm could be switched.
MARCH 5
Met with Javier Bardem and Penélope Cruz. She’s ravishing and more sexual than I had imagined. During interview my pants caught fire. Bardem is one of those brooding geniuses who clearly will need a firm hand from me.
APRIL 2
Offered role to Scarlett Johansson. Said before she could accept, script must be approved by her agent, then by her mother, with whom she’s close. Following that it must be approved by her agent’s mother. In middle of negotiation she changed agents — then changed mothers. She’s gifted but can be a handful.
JUNE 1
Arrived Barcelona. Accommodations first class. Hotel has been promised half star next year provided they install running water.
JUNE 5
Shooting got off to a shaky start. Rebecca Hall, though young and in her first major role, is a bit more temperamental than I thought and had me barred from the set. I explained the director must be present to direct the film. Try as I may, I could not convince her and had to disguise as man delivering lunch to sneak back on the set.
JUNE 15
Work finally under way. Shot a torrid love scene today between Scarlett and Javier. If this were a scant few years ago, I would have played Javier’s part. When I mentioned that to Scarlett, she said, “Uh-huh,” with an enigmatic intonation. Scarlett came late to the set. I lectured her rather sternly, explaining I do not tolerate tardiness from my cast. She listened respectfully, although as I spoke I thought I noticed her turning up her iPod.
JUNE 20
Barcelona is a marvelous city. Crowds turn out in the streets to watch us work. Mercifully they realize I’ve no time to give autographs, and so they ask only the cast members. Later I handed out some 8-by-10 photos of myself shaking hands with Spiro Agnew and offered to sign them, but by then the crowd had dispersed.
JUNE 26
Filmed at La Sagrada Familia, Gaudi’s masterpiece. Was thinking I have much in common with the great Spanish architect. We both defy convention, he with his breathtaking designs and me by wearing a lobster bib in the shower.
JUNE 30
Dailies are looking good, and while Javier’s idea to add a massive Martian invasion scene complete with a thousand costumed extras and elaborate flying saucers is not a very good one, I will shoot it to make him happy and cut it in the editing room.
JULY 3
Scarlett came to me today with one of those questions actors ask, “What’s my motivation?” I shot back, “Your salary.” She said fine but that she needed a lot more motivation to continue. About triple. Otherwise she threatened to walk. I called her bluff and walked first. Then she walked. Now we were rather far apart and had to yell to be heard. Then she threatened to hop. I hopped too, and soon we were at an impasse. At the impasse I ran into friends, and we all drank, and of course I got stuck with the check.
JULY 15
Once again I had to help Javier with the lovemaking scenes. The sequence requires him to grab Penélope Cruz, tear off her clothes and ravish her in the bedroom. Oscar winner that he is, the man still needs me to show him how to play passion. I grabbed Penélope and with one motion tore her clothes off. As fate would have it she had not yet changed into costume, so it was her own expensive dress I mutilated. Undaunted I flung her down before the fireplace and dove on top of her. Minx that she is, she rolled away a split second before I landed causing me to fracture certain key teeth on the tile floor. Fine day’s work, and I should be able to eat solids by August.
JULY 30
Dailies looking rather brilliant. Probably too early to start planning Academy campaign. Still, a few notes for an acceptance speech might just save me some time later.
AUG. 3
I suppose it comes with the territory. As director one is part teacher, part shrink, part father figure, guru. Is it any wonder then that as the weeks have passed, Scarlett and Penélope have both developed crushes on me? The fragile female heart. I notice poor Javier looking on enviously as the actresses bed me with their eyes, but I’ve explained to the boy that unbridled feminine desire for a cinema icon, particularly one who wears a sneer of cold command, is to be expected. Meanwhile when I approach the set each morning bathed and freshly scented, between Scarlett and Penélope there is a virtual feeding frenzy. I never like mixing business with pleasure, but I may have to slake the lust of each one in turn to get the film completed. Perhaps I can give Penélope Wednesdays and Fridays, satisfying Scarlett Tuesdays and Thursdays. Like alternate-side parking. That would leave Monday free for Rebecca, whom I stopped just in time from tattooing my name on her thigh. I’ll have a drink with the ladies in the cast after filming and set some ground rules. Maybe the old system of ration coupons could work.
AUG. 10
Directed Javier in emotional scene today. Had to give him line readings. As long as he imitates me he’s fine. The minute he tries his own acting choices he’s lost. Then he weeps and wonders how he’ll survive when I’m no longer his director. I explained politely but firmly that he must do the best he can without me and to try to remember the tips I’ve given him. I know he was cheered because when I left his trailer, he and his friends were howling with laughter.
AUG. 20
Made love with Scarlett and Penélope simultaneously in an effort to keep them happy. Ménage gave me great idea for the climax of the movie. Rebecca kept pounding on the door, and I finally let her in, but those Spanish beds are too small to handle four, and when she joined, I kept getting bounced to the floor.
AUG. 25
End production today. Wrap party as usual a little sad. Slow danced with Scarlett. Broke her toe. Not my fault. When she dipped me back, I stepped on it.
Penélope and Javier anxious to work with me again. Said if I ever come up with another screenplay to try and find them. Goodbye drink with Rebecca. Sentimental moment. Everyone in cast and crew chipped in and bought me a ballpoint pen. Have decided to call film “Vicky Cristina Barcelona.” Studio heads have seen all the dailies. Apparently they love every frame, and there is talk of opening it at a leper colony. It’s lonely at the top.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
MGM no YouTube

sábado, 31 de janeiro de 2009
Dr. Fritz Fassbender
Reunião de Pacientes
Get In the Closet!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ghostbusters III

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Denis Leary Sobre os Seus Filmes
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Sundance 2009
Grand Jury Prize, Drama
Push (Lee Daniels)
Grand Jury Prize, Documentário
We Live in Public (Ondi Timoner)
World Cinema Jury Prize, Drama
The Maid (Sebastian Silva)
World Cinema Jury Prize, Documentário
Rough Aunties (Kim Longinotto)
World Cinema Special Jury Prize, Documentário
Tibet in Song (Ngawang Choephel)
World Cinema Special Jury Prize, Drama
Catalina Saavedra (The Maid)
Special Jury Prize, Interpretação, Drama
Mo'Nique (Push)
Special Jury Prize, Documentário
Good Hair (Jeff Stilson)
Excellence in Cinematography, Drama
Adriano Goldman (Sin Nombre)
Waldo Scott Screenwriting Award
Nicholas Jasenovec e Charlyne Yi (Paper Heart)
Melhor Realização, Drama
Cary Joji Fukunaga (Sin Nombre)
Audience Award, Drama
Push (Lee Daniels)
Audience Award, Documentário
The Cove (Louise Psihoyos)
World Cinema Audience Award, Drama
An Education (Lone Scherfig)
World Cinema Audience Award, Documentário
Afghan Star (Havana Marking)
500 Days of Summer
I Love You Phillip Morris
Mary and Max
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Charlie Kaufman's Synecdoche, New York
Charlie Stewart Kaufman é uma das personagens mais importantes do actual panorama cinematográfico de Hollywood aparecendo até no top 100 da Time Magazine como uma das pessoas mais poderosas, algo de relevante, tendo em conta que é o único argumentista da lista. Começou por escrever artigos cómicos para a revista da National Lampoon, passou a escrever sketches para algumas séries de televisão, mas só se tornou conhecido com o argumento de Beeing John Malkovich (realizado por Spike Jonze em 1999) que lhe valeu a primeira nomeação para os Óscares. Seguiu-se o argumento de Human Nature (primeira longa de Michel Gondry em 2001) que passou um pouco desapercebido e é provavelmente o seu prior trabalho. Em 2002 e de novo com Spike Jonze atrás da câmara, estreia Adaptation que lhe vale mais uma nomeação. Um dos melhores papéis de Nicholas Cage e a confirmação de Kaufman como escritor de top. Seguiu-se Confessions of a Dangerous Mind também em 2002. Marcou a estreia de George Clooney na realização e uma das poucas declarações de Kaufman à imprensa, a criticar Clooney por ter alterado o argumento sem o consultar. Em 2004 volta a escrever para Michel Gondry realizar e ganha o merecido Óscar de melhor argumento original com o genial Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Desaparecido há 4 anos, à muito se fala da sua nova criação que ele próprio tratou de filmar: Synecdoche, New York. A primeira data anunciada para a estreia do filme foi 14 de Novembro e prometia dar que falar, como aliás o fez na ante-estreia em Cannes, onde Kaufman esteve nomeado para a Palma d'Ouro. No entanto continua por estrear e foi totalmente esquecido nos Globos de Ouro e também nos Óscares, onde não somou qualquer nomeação. O filme conta a história de Caden, um encenador de teatro que se
prepara para realizar uma nova e grandiosa peça de grande realismo e honestidade, à qual se possa entregar completamente como se da história de uma vida se tratasse. À medida que vai recriando a cidade num grande armazém alugado, e enquanto os actores vão vivendo as personagens, a sua vida íntima vai-se deteriorando. Atormentado pelo fantasma da sua ex-mulher, pela ausência da filha, pela deficiência mental da outra filha, pelo arruinar do actual casamento, pela terapeuta que em nada ajuda, pelo actor principal da peça que é perfeito demais e pela sua misteriosa doença que o faz perder sistematicamente cada uma das suas funções vitais, vai-se enterrando cada vez mais na sua obra-prima, enquanto os anos vão passando rapidamente e se vai tornando ténue a diferença entre a realidade e a ficção. A chegada de uma experiente actriz parece vir ajudar Caden a alinhar a sua veia criativa. Kaufman cria um universo negro, recheado de personagens complexas no mundo das relações e da criatividade artística. Talvez a definição de sinédoque ajude a compreender. Caden é Philipe Seymour Hoffman e as mulheres à sua volta: Samantha Morton, Michelle Williams, Catherine Keener, Emily Watson, Jennifer Jason Leigh, Hope Davies e Dianne Wiest. Apesar de ter sido aplaudido por muitos, dos poucos que viram, o restante público tratou mal a obra, entre eles vários críticos, pelo facto de ser confuso demais. Houve quem dissesse que apenas Steinbeck compreenderia aquela espiral de ideias (que quer isto dizer?) Eu continuo ansioso, até porque o génio argumentista só tem vindo a superar-se. Fica o trailer.Jackman Host e Australia
Um dos temas em discussão com a aproximação da cerimónia dos Óscares é a do apresentador. No primeiro, a 16 de Maio de 1929, Fairbanks e DeMille, duas das maiores figuras de Holywood da altura, deram início ao mais celebre festival de cinema mundial. Bob Hope foi o maior da história, apresentando o evento por mais de 15 vezes durante os anos 40, 50 e 60. Johnny Carson e, mais recentemente, Billy Crystal foram os mais solicitados. O último já recusou imensas vezes, mas em 2004 lá fez a vontade. Agora parece pouco consensual a escolha de um apresentador. Steve Martin, se já teve piada, perdeu-a algures, ainda assim já lá foi duas vezes. Whoopi Goldberg tem caído no esquecimento, mas já lá esteve em quatro anos, nunca consecutivos, o que mostra a insatisfação contínua da academia. Chris Rock foi muito caustico, apesar de Bush não permitir o contrário. A cerimónia puxou um bocado à comunidade negra e no ano seguinte tivemos Jon Stewart. O excelente humorista e apresentador do Daily Show esteve muito bem em 2006 e 2008, mas foi acusado de exagerar nas críticas a Bush. Em 2007 foi agraciada a comunidade gay com Ellen DeGeneres, que esteve bem, mas pelos vistos não convenceu. Em suma, Jon Stewart seria o mais indicado. Para quê mudar o que está bem? Certo é que este ano temos Obama e seria de mau gosto continuar a criticar Bush. Talvez Stewart não fosse realmente a melhor escolha. Escolhido anteriormente à revelação dos nomeados, a opção recaiu numa estreia. Um homem elegante, bem apresentado, não-americano, com a carreira a atingir o auge e que até já apresentou os Tony Awards, onde foi elogiado e apontado como um entertainer cheio de estilo e sentido de oportunidade. Até ver, Hugh Jackman, (X-Men, The Fountain, The Prestige) nem parece má escolha. Com sentimentos contraditórios deve ter ficado o próprio, que assim viu gorada a hipótese de levar um Óscar para casa com Australia, um papel que ele diz ter sido o que sempre almejou. Na semana passada ficou a saber que nem nomeado foi.
Em relação a Australia, o novo filme do australiano Baz Luhrmann que dirigiu Romeu + Julieta e Moulin Rouge!, pode dizer-se que é um drama romântico de aventuras, em tempo de guerra, com aspirações a épico. Como protagonista ao lado de Jackman temos Nicole Kidman, com quem Luhrmann contou para atingir o estrelato que Moulin Rouge! quase lhe conferiu. O musical moderno foi um sucesso de bilheteira a nível mundial, resultado dum projecto longo e arrojado do realizador e duma jorrada de "imagens mtv" que nem sempre resultam em arte, mas têm retorno em números com muitos zeros. Russell Crowe era o eleito para fazer par com Kidman, mas Jackman não tem levado menos fãs às salas que o ex-gladiador. O filme estreou no dia mundial do consumismo (ok, não se compra, mas recebe-se o que se comprou), dia 25 de Dezembro, altruisticamente marcado para que toda a gente o possa ver. Claro que é normal as grandes produtoras agendarem lançamentos para esta altura, pudera. Claro que Luhrmann também tem direito, como outros, a encher os bolsos de pasta. O que lhe fica mal é vir dizer que alterou o fim da história, de modo a lucrar mais no box office, com um final mais feliz que o inicial. Palavras do próprio que caíram mal a muita gente que faz o que faz por amor a um ideal. Clássicos como Casablanca, Bonnie and Clyde ou E.T. não teriam atingido o mesmo estatuto com um final mais feliz. Como era de esperar o tiro saiu-lhe pela culatra. Gastou perto de 130 milhões de dólares e passado um mês em exibição fez pouco mais de 50 milhões. Nos globos de ouro teve zero nomeações e em 22 de Fevereiro tem a hipótese de ganhar o Óscar para melhor guarda-roupa. Boa Laz, bem que podias dar o nome ao Razzie para a personalidade mais vendida do ano no cinema.



